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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Uma relação bem gramatical


Redação feita por uma aluna do curso de Letras da UFMG que venceu um concurso interno promovido pelo professor titular da cadeira de Gramática portuguesa:
 

 
“Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal.

Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar.

O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto.

Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar.

Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo. Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.
Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros.

Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.

Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.

Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-à-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.

O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.”

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O Realismo e o Naturalismo (2° ano)

Moças à margem do Sena; Verão (1857),
de Gustave Coubet, o fundador do Realismo na pintura.

Queridos alunos!
Pesquisem e respondam às questões abaixo no caderno, copiando também as perguntas.
Abraço,
Professora Juliane Dias.

1) Quais as diferenças entre o Romantismo e o Realismo?
2) O que foi o Realismo? Cite as principais características.
3) Como foi o Realismo em Portugal?
4) E no Brasil?
5) Quais as características do Naturalismo?
6) Cite as principais obras e autores do Realismo.
7) Cite as principais obras e autores do Naturalismo.
8) Pesquise e leia o Conto "A Cartomante" de Machado de Assis. É um texto romântico ou realista? Por quê?

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Monteiro Lobato e a literatura escolar


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Texto da pesquisadora Solange Kate Araújo Vieira. Avalia militância do escritor pelo bom aproveitamento da literatura nas escolas.

Em um tempo em que a literatura foi expulsa da escola e em que se medem inúmeros esforços para resgatá-la, principalmente na educação infantil, vale louvar o pioneirismo de um grande escritor que lutou em seu tempo para formar leitores. O “caçador de leitores”, como denominou uma estudiosa da obra de Monteiro Lobato, lutou incansavelmente em busca do leitor e notadamente em busca do leitor infantil.

Monteiro Lobato teve o mérito de perceber a necessidade da leitura como instrumento de progresso de uma nação, e para isso tentou conquistar o leitor infantil, introduzindo literatura nas escolas primárias (ensino fundamental), pois reconhecia a receptividade das crianças a textos de boa qualidade e inteligentes.O primeiro livro infantil de sua autoria - “A menina do Narizinho Arrebitado”, de 1921 - trazia o frontispício esclarecedor: “literatura escolar”, o que confirmava sua preocupação com a literatura na escola desde o início. Escrito em uma linguagem brasileira, contrastava com as edições estrangeiras utilizadas nas escolas. Esta obra foi distribuída gratuitamente às crianças de escolas públicas de São Paulo e o presidente do Estado, ao perceber o interesse das crianças pelo livro, ordenou a compra de grande quantidade da obra para distribuir nas demais escolas públicas. Mal sabia Lobato que com esta obra estava criando a literatura infantil moderna brasileira.
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No mesmo ano, em um artigo intitulado “Livros fundamentais”, o autor criticava o que chamava de “uniformidade de cérebros”, alusão à adoção de livros didáticos sem respeito à individualidade e ao gosto pessoal do aluno. Acreditava Lobato que a leitura de um livro obedecia aos mesmos critérios com que as pessoas escolhiam os chapéus ou gravatas. Tudo era questão de moda. Discordava veementemente desta postura e apontava a raiz do problema: livros didáticos impingidos ao governo pela indústria livreira, impostos às crianças.Lobato procurava testar a receptividade de seus textos junto às crianças e encomendava ao amigo Godofredo Rangel, escritor e professor primário, um teste de leitura. Pedia-lhe que experimentasse o Narizinho escolar em algumas crianças para ver se elas se interessavam.Sentindo nas crianças um público leitor atento, Monteiro Lobato destinou-lhes não só produções próprias, mas literatura de qualidade como os clássicos reescritos à brasileira, dando-lhes um sabor local para ser degustado pelas nossas crianças. Sob a orientação do Lobato editor, muitos textos clássicos foram adaptados e traduzidos para alimentar a criança leitora de bons textos.Monteiro Lobato abriu caminho para uma nova expressão literária, estimulando a reflexão, o questionamento e a crítica. Ele buscou novas formas de linguagem para escrever para o leitor jovem, fazendo com que os valores culturais brasileiros passassem a ocupar espaço no imaginário das crianças.Segundo a crítica Nelly Novaes Coelho, a renovação proposta por Monteiro Lobato tinha na base a intenção de uma profunda reinvenção da linguagem literária. Liberou o estilo literário para crianças de seus esquemas predeterminados e retóricos, para enriquecê-los com a experiência lingüística e familiar.

Expurgando de seus textos, desde as primeiras publicações, normas de bom comportamento e delegando à criança nova forma de atuação, valorizava sobretudo o espaço infantil e concedia-lhe voz. E essa é um das maiores contribuições para uma nova visão na paisagem literária brasileira de então, e por onde enveredaram grandes nomes da nossa atual literatura infantil.

Lobato traz a vida brasileira à consciência infantil, desenvolvendo um sentimento de nacionalidade atuante. Ele entrega à infância do País a chave para consolidação de ideais de cidadania mais autênticos e verdadeiros. Foi o primeiro escritor a transformar o livro em um elemento de diálogo entre os jovens e os adultos.Com a saga do Sítio do Picapau Amarelo, o mundo infantil se povoou de figuras adultas familiares humanizadas e próximas às crianças, como Dona Benta, Tia Nastácia, e apontou o caminho da espontaneidade inventiva e da independência mental das crianças em relação à autoridade dos adultos. Em depoimentos, o autor ressaltava a crença que a infância tem na imaginação, como em entrevista ao jornalista Celestino Silveira em meados de 1940: “quando falo às crianças do pó de pirlimpimpim, não há uma só que duvide dessa maravilha”.Aliando o real ao maravilhoso em suas obras infantis, Lobato respeitou o universo infante. As fabulações de seus textos situam-se no mundo cotidiano e ao mesmo tempo transitam no mundo imaginário ou do maravilhoso, e passam a integrar o mundo natural infantil, misto de sonho e realidade.Uma das conseqüências mais importantes dessa fusão, em termos de psicologia infantil, é proporcionar à criança a possibilidade de viver a fantasia.O sonho de Lobato era fazer livros onde as crianças pudessem morar. Este sonho foi perseguido pelo escritor através de sua obra dedicada à nossa infância. Reconhecendo a literatura infantil como alimento espiritual, correspondente ao leite materno, Lobato procurou nutrir nossas crianças de fantasia e imaginação para penetrar a alma infante conduzida pela loquacidade inventiva.Monteiro Lobato afirmava em América que um livro é uma ponta de fio que diz “aqui parei: toma-me e continua, leitor”.Assim também devem refletir os educadores e governantes do nosso País e continuar a ponta de fio do projeto lobatiano, promovendo a leitura literária na escola, nas bibliotecas, nas ruas, nos sítios, e espalhar assim o pó de pirlimpimpim na nossa infância, tão abandonada que está de magia e fantasia.É preciso acordar o leitor que habita em cada criança, repleto de emoções e desejos e deixá-lo viver no reino maravilhoso do literário para, no futuro, a criança leitora habitante da esperança possa encontrar caminhos mais salutares e humanos e possa dividi-los com outras gerações do “é uma vez a leitura”. 

SOLANGE KATE ARAÚJO VIEIRA
Solange Kate Araújo Vieira é mestre em Literatura Brasileira e Coordenadora Pedagógica do Projeto Agentes de Leitura do Ceará, da Secretaria da Cultura

terça-feira, 17 de maio de 2011

Literatura Infantil



Literatura á a arte da palavra.
Todos os textos que utilizam uma linguagem subjetiva e expressiva, que trabalham com o sentido conotativo das palavras e abusam das figuras de linguagem, recriando sempre uma realidade são classificados como textos literários. Podem ser narrativas, contos, crônicas, poemas, poesias...
Mas, e Literatura Infantil? O que classifica um texto como infantil e, mais do que isso, também literário?
Utilize suas próprias palavras e, a partir do que estudamos até agora, me ajude a esclarecer esta questão.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade me fascina com suas palavras. Observe a facilidade com que o autor transmite suas ideias e seus sentimentos através de uma linguagem subjetiva, mas simples. Frases curtas, mas claras. Incrível!
Este poema é um exemplo de texto literário, pois a linguagem é subjetiva e o autor recria uma realidade. Além disso, há um eu-lírico e o poeta transmite, através do texto, seus sentimentos e emoções.

(...) Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.
(...) E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.

(Resíduo)